Sapa

Sapa fica na zona rural do Norte do Vietname, próximo da fronteira com a China. Fomos até lá com o objetivo de fazer uma caminhada nos campos de arroz e de dormir num alojamento local.

Para ir até Sapa apanhámos um comboio noturno de Hanói até à estação de Lao Cai, a 45km de Sapa. Também há autocarros para aquela zona, mas dormir no comboio tem toda uma magia associada.

A noite foi de animação, foi a primeira vez que dormimos num comboio. Os miúdos saltaram de cama em cama, carregaram em todos os botões possíveis. Descobriram os interruptores das luzes gerais e individuais da nossa cabine, do rádio, etc… foi o fim do mundo até adormecerem!

Estávamos todos entusiasmados, dormimos pouco, mas foi sem dúvida uma experiência inesquecível.

Após o transfer de autocarro da estação de Lao Cai até Sapa tomámos um banho num hotel e conhecemos a nossa guia que nos ia acompanhar nos trekkings durante 2 dias. A guia era uma habitante local, duma minoria  étnica: os Hmong. Juntaram-se a nós mais duas raparigas Hmong, com quem fomos conversando e conhecendo um pouco mais dos seus hábitos. 

Aprenderam inglês a falar com os turistas e fazem artesanato (pulseiras, carteiras,etc) com ponto cruz que tentam vender aos turistas após as caminhadas.

No final da primeira caminhada nos arrozais (12km) esperava-nos uma dormida numa casa de família Dzay, outra minoria étnica desta zona. 

Tínhamos a hipótese de ficar em hotel na cidade, mas achámos esta experiência mais autêntica.

plantação de arroz em sapa

Numa mochila enfiámos o indispensável para os 5 para uma noite fora e iniciámos o percurso. A paisagem para nós era magnífica, no entanto, os terraços de arroz são supostamente mais bonitos em Setembro, altura em que ficam amarelos,  prontos para a colheita.

Estes caminhos não são transitáveis de carro, só a pé ou de mota. Sabemos porque antes de irmos perguntámos se dava para chamar um taxi a meio caso houvesse desistências!

Portanto, pode parecer assustador fazer 12km com 3 miúdos pequenos, mas fez-se muito bem sem precisarmos de taxi!

O miúdo mais novo (1 ano) foi transportado num marsúpio, a do meio (3 anos) foi grande parte do percurso a pé, outra parte ao colo/cavalitas e o mais velho (6 anos) fez tudo a pé, muitas vezes à frente do pelotão! 

Pelo caminho havia pontos de descanso para nos sentarmos à sombra e comprarmos bebidas. Passámos por crianças a ir para a escola, por agricultores a preparar os socalcos para a plantação de arroz, vimos búfalos, porcos, patos e galinhas. Surgia constantemente algo novo que chamava a atenção dos miúdos, o que facilitou bastante a caminhada.

meninos na escola em sapa

Não esperávamos muito conforto na dormida na casa da família Dzay, mas fomos surpreendidos com um bungalow só para nós, com camas confortáveis, com mosquiteiros, e WC privado com chuveiro. 

A casa da família era uma casa típica: espaço amplo com sala e cozinha no andar de baixo, camas no andar de cima e casa de banho no exterior. A filha mais nova tinha 2 meses e não tinha cama de grades, como estamos habituados na nossa cultura. Tinha antes uma cama de rede, e lá dormia tranquila num embalo contínuo. 

Ajudámos na preparação do jantar, os miúdos brincaram todos, convivemos. Na televisão dava um programa sobre caça a ratos. Quando no programa acendem um fogareiro, nós perguntamos se comem rato. Respondem-nos com um óbvio “Sim! Comemos de tudo”…

Ao pequeno-almoço a influência francesa no Vietname voltou a mostrar-se numas maravilhosas panquecas. Antes de partirmos para mais uma caminhada bebemos um delicioso café tradicional vietnamita no pátio da casa. Este café demora um pouco a ficar pronto, a água vai descendo gota a gota através de um filtro metálico em forma de chávena, mas o seu sabor compensa a espera. 

A caminhada de despedida de Sapa foi mais curta, mas com paisagens igualmente bonitas. 

Ao fim da tarde regressámos à estação de Lao Cai para mais uma noite animada no comboio noturno em direção a Hanói.

Identificamo-nos bastante com este tipo de atividades, com o contacto mais próximo com as pessoas locais, ainda que para isso tenhamos que abdicar um pouco do conforto. 

Dormir no comboio, fazer as caminhadas e conviver com a família foi uma das melhores experiências em viagem que já tivemos. 

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