São Tomé | Guia de Viagem

São Tomé | Guia de Viagem

Temos um carinho especial por São Tomé. É um destino emotivo, que adotámos quase sem darmos conta.  O seu povo é simples e de conversa fácil, trata-nos por “branco” e abre-nos a porta de sua casa.  

Não tem cadeias intermináveis de resorts em regime de tudo incluído, mas tem alguns hotéis nesse registo. Tem então capacidade para acolher tanto as famílias de hotel-papo-para-o-ar como aquelas que preferem uma residencial simples ou alugar casa e palmilhar a ilha durante o dia. 

Com o mesmo fuso horário, a nossa língua e a apenas 6h de avião, São Tomé é imperdível.

É uma ilha com uma vegetação luxuriante e praias fabulosas, desertas. Tem roças abandonadas e roças onde ainda se produz cacau e café, todas cheias de encanto. Sabe a peixe grelhado e a fruta-pão e move-se ao ritmo leve-leve das pirogas. 

O melhor de São Tomé? O melhor são mesmo as pessoas, o luxo das pessoas genuínas!

Localização

A Ilha de São Tomé localiza-se no Golfo da Guiné, no Continente Africano. Juntamente com a Ilha do Príncipe e alguns ilhéus, compõe o arquipélago de São Tomé e Príncipe.

Clima | Quando ir

São Tomé tem um clima tropical húmido, o que dá direito a calor e humidade elevada o ano todo. Apresenta duas estações distintas. A estação seca vai de junho a setembro. A das chuvas ocupa os restantes meses. Qualquer altura é boa para visitar a ilha, dado que mesmo na estação das chuvas nunca chove o dia todo.

Nós fomos em dezembro e apanhámos apenas chuvadas dispersas.

O que esperar de São Tomé

Se procuram monumentos, museus, grandes cidades e praias cheias  de infra-estruturas para turistas… não vão! Ou então vão, mas fiquem-se por um dos poucos resorts e desfrutem das paisagens fabulosas.

Pelas estradas de São Tomé vão passar por poucos carros, vão antes cruzar-se muitas vezes pelo povo a pé. O saneamento básico e a eletricidade não chegam a grande parte da população. Assim sendo, são obrigados a caminhar em direção aos lavadouros públicos e aos rios, para lavar a roupa e a loiça. Crianças e adultos percorrem as estradas a pé, tantas vezes descalços, equilibrando os alguidares da roupa e da loiça à cabeça.  A roupa estendida no chão, na berma da estrada, ou nas pedras do rio é uma constante por lá, assim como as mães com os bebés às costas em panos.

Se passarem na estrada ao fim do dia, vão ver pequenos grupos de pessoas amontoadas à porta de barracas de madeira (cafés/mercearias locais), a espreitar lá para dentro. Sabem o que estão a fazer? Até podem estar a beber um copo de vinho de palma, mas estão ali sobretudo para ver televisão, porque muitos não a têm em casa. Já se imaginaram sem carro, televisão ou frigorífico?…

Se há possibilidade de não gostarem de São Tomé? Há. Se gostam de estar no vosso canto, se a abordagem de pessoas locais vos incomoda, então São Tomé é uma péssima ideia. Ou então, mais uma vez, fiquem apenas pelo hotel, vale pela paisagem. 

As praias fora dos hotéis são, como referimos, desertas. Pela areia da praia não passam turistas, passam antes crianças vindas da escola, de mochila às costas, adultos com alguidares à cabeça ou com molhos de lenha. Todos paravam ao pé de nós, mas não era aquela paragem aborrecida, para impingir coisas, não se tratavam de vendedores sequer. Eram apenas pessoas simpáticas, com uma curiosidade inocente, ávidas por falar um pouco com os brancos. 

As famílias de São Tomé fazem praia apenas ao domingo, levam comida para piquenique e passam o dia na praia. No entanto, durante a semana, não sabemos bem de onde, apareciam sempre miúdos para brincar com os nossos fugitivos, por isso dizemos que fizeram amigos todos os dias.

Não seria justo não referirmos que notámos algumas melhorias. Isto relativamente há 10 anos atrás, quando fomos (fui) pela primeira vez à ilha. Construíram um novo mercado na capital e notei um crescimento a nível do comércio, restauração e de pensões/residenciais. Muito se podia (e devia) ainda fazer para além disso. Na saúde, no saneamento e na recuperação do valioso património colonial, há ainda um longo caminho a percorrer. Deparamo-nos com casas coloniais ao abandono, edifícios das roças degradados, asfalto esburacado… não há manutenção! 

O facto de ser uma ilha implica acrescentar ao preço dos produtos que vêm de fora o custo da sua importação. Juntamente com a falta de postos de trabalho, fica assim muito limitado o acesso da maior parte da população ao que para nós são bens essenciais, como pasta/escova de dentes ou um simples paracetamol para a febre.  Se tiverem possibilidade, vão e aproveitem para marcar a diferença: levem destes bens essenciais, ou entreguem nas escolas material escolar, roupa e brinquedos.

É um país realmente pobre. Vão preparados para isso, mas não tenham pena – são gente feliz! 

Documentação necessária | Visto de entrada

Os cidadãos portugueses necessitam de visto apenas para estadias superiores a 15 dias

É obrigatório passaporte com validade de pelo menos 6 meses a partir da data de entrada na ilha.

Alojamento

Ficámos num AirBnb junto à capital, por ser o tipo de alojamento que preferimos para estadias de mais do que duas noites.

Não somos exigentes com os alojamentos, fazemos apenas questão que estejam limpos e que tenham água quente. Para São Tomé em concreto, era fundamental ter Ar Condicionado para evitar os mosquitos.

Encontrámos este alojamento com essas condições e ainda com uma cozinha completamente equipada, berço, jogos para os miúdos e uma cama de rede na varanda onde nos balançámos ao pequeno almoço. Tudo por uns 200€ por semana

Podem perfeitamente ficar um pouco mais afastados do centro, ou eventualmente ficar uns dias mais perto da capital e 2 ou 3 noites no sul da ilha. Depende muito do que pretendem fazer por lá e do tempo que vão ficar na ilha. 

Talvez seja importante saberem que, na nossa opinião, as praias dos hotéis junto à capital não são as mais bonitas. É aí, no entanto, que há maior oferta de restaurantes e supermercados. Se ficarem alojados num hotel com refeições incluídas esse aspeto nem tem interesse, ponham tudo na balança e decidam qual a opção que vos será mais conveniente.

Se escolhêssemos um hotel para ficar na capital seria o Hotel Residencial Avenida, com instalações simples mas suficientes para servir de base para quem passa o dia a explorar a ilha, e pouco tempo no hotel. Não tem praia, apenas piscina, e serve refeições mesmo para quem não está lá hospedado.

Fora da capital a escolha seria o Club Santana (onde podem programar passar o dia mesmo não sendo hóspedes), o Mucumbli e o Jalé Ecolodge (onde podem agendar assistir à desova das tartatugas).

Sugerimos estes hotéis apenas pelo ambiente mais natural em que estão inseridos, haverá muitos mais de que nós nem temos conhecimento!

Com uma pequena pesquisa percebem que apesar de não haver imensos resorts na ilha há bastante oferta e para todas as bolsas.

Câmbio

Os Euros são aceites em todo o lado: restaurantes, supermercados e bombas de gasolina, dão-vos o troco em Dobras. 

De qualquer das formas, se quiserem trocar dinheiro podem fazê-lo nas bombas de gasolina. Falam com o Gasolineiro e troca-vos na hora Euros por Dobras ao câmbio 1€ = 25000 Dobras, sem papéis nem comissões.

Para compras de pequenos valores, como as bananas ou mangas vendidas na berma da estrada, convém terem dobras. 

As ATM são escassas e são poucos os locais em que aceitam pagamentos com cartões. Para efetuar o câmbio podem ainda recorrer ao Banco Central, localizado na capital. 

Eletricidade

As tomadas de eletricidade são iguais às de Portugal (220V).

Internet

A ilha conta com duas operadoras móveis: Unitel e CST. 

Há vários locais onde podem adquirir um cartão de dados para o telemóvel com internet. Comprámos o nosso na loja da CST da capital, junto à Igreja da Sé. O cartão custa uns 4€, aos quais têm de acrescentar o valor do carregamento de internet que pretendem fazer. 

Para uma semana carregámos com 5€ e sobrou saldo, mas logicamente depende da utilização que lhe quiserem dar. 

Há várias barraquinhas da CST na berma da estrada, mas na maior parte apenas podem carregar o saldo para chamadas.

Conseguimos captar rede móvel em toda a ilha.

Deslocações

Recomendamos o aluguer de carro para se deslocarem pela ilha. 

Nem todas as estradas estão em boas condições, há partes da ilha em que estão mesmo esburacadas, e há acessos a determinadas praias que não estão alcatroados. Por esse motivo, recomendamos que aluguem um jipe ou uma pick-up

Há várias rent-a-car na ilha, como a Catcartour e a Tortuga Car Rental.

O GPS (Google Maps) funcionou sempre, não sentimos dificuldade em nos orientarmos sozinhos. O mapa satélite do Google Earth é também uma boa ajuda para visualizarmos os tais caminhos não alcatroados/mapeados.

Para aproveitarmos melhor o tempo foi fundamental levarmos o roteiro já bem definido. Se precisarem de ajuda nesse sentido têm artigos aqui no blog que vos podem ajudar a fazer o mesmo.  

Quem tem problemas para conduzir à noite tem de ter especial atenção, só há estradas iluminadas na capital (e poucas), portanto terão de conduzir apenas com a luz dos faróis do carro quando anoitece.

Planeamento do roteiro

Para conseguirem distribuir o que visitar pelos dias que têm disponíveis é importante terem noção do tempo que demoram a chegar a determinado lugar

Façam as contas para uma velocidade de 40km/h. Não falha. No máximo vão conseguir andar a uns 60km/h, o que é raro, ora por causa dos buracos na estrada, ora pelas curvas. Posto isto, se querem visitar um sítio que fica a 80km, já sabem que precisam de 2 horas para lá chegar e outras 2h para voltar. 

Apesar das deslocações demoradas, é possível percorrerem os pontos principais da ilha numa semana, e ainda fazer praia. Contudo, é por esse motivo que achamos que quem pretende visitar também a Ilha do Príncipe deve ir mais do que uma semana.

Compras | Supermercado

Por toda a ilha vão encontrando pequenas mercearias (barracas em madeira), com produtos locais e bancas de fruta à porta.

Se procuram um supermercado maior, semelhante aos nossos hipermercados, têm o CKDO. Fica na capital, junto à Baía de Ana Chaves, a 5 minutos do aeroporto. 

Encontram por lá pão e tudo o que necessitam para pequeno almoço em casa ou para lanche/snacks que dão jeito na mochila enquanto percorrem a ilha. Vende produtos locais, mas também muitos produtos importados, a maioria da marca Pingo Doce e Dia, naturalmente mais caros do que o que é local. 

Se vão com crianças podem adquirir aqui fraldas, toalhetes, papas, boiões de comida, etc. 

Tem ainda peixaria e talho, e vende diariamente pernas de frango assadas para take-away. Está aberto das 9h às 21h e encerra ao domingo. 

Prevenção Malária - sim ou não?

Sabemos que esta é uma das dúvidas mais frequentes sobre as viagens a São Tomé.

Para vos enquadrar, de forma muito simplificada: a Malária é uma doença provocada pela picada de um mosquito que está mais ativo em ambientes húmidos e quentes, e sobretudo desde o anoitecer até ao amanhecer; o mosquito que propaga a Malária existe em São Tomé; não é uma doença contagiosa de pessoa para pessoa; a febre, dor de cabeça e enjoos são alguns dos sintomas mais comuns, mas pode provocar situações mais graves.

Não existe vacina anti-malária, podem evitar contrair a Malária através da toma de medicação profilática (comprimidos).

Há alguma resistência à toma desses comprimidos, ou pelos efeitos secundários que podem provocar, ou por acharem que não são efetivamente necessários.

Em Portugal são comercializadas duas marcas, Mephaquin e Malarone, sendo a primeira a mais barata e associada a uma maior frequência desses efeitos. Posso no entanto dizer-vos que já experimentei as duas e apenas senti uns ligeiros enjoos passageiros, curiosamente quando tomei a marca mais cara. 

Para tomarmos uma decisão consciente e informada fomos a uma Consulta do Viajante. O médico informou-nos que a Malária estava quase erradicada de São Tomé, mas que nos recomendava a toma da referida medicação. Disse-nos ainda que essa medicação é muito bem tolerada pelas crianças, que era a nossa principal preocupação.

Posto isto, decidimos tomar os 5 a medicação e não apresentámos qualquer efeito secundário.

Como alternativa aos comprimidos, há quem opte apenas pelas medidas que evitam a exposição ao mosquito: não andar na rua após o pôr do sol; usar roupa de manga comprida e calças; ficar em alojamentos com A/C; dormir em cama com rede mosquiteira e usar repelente.

A decisão fica à responsabilidade de cada um, mas achamos fundamental irem a uma consulta do viajante.

O que visitar | Quanto tempo ir

Numa semana conseguem visitar calmamente os principais pontos de toda a Ilha de São Tomé. 

Se pretendem ir também até à Ilha do Príncipe (a menos de 1h de avião) será melhor irem mais tempo. Pelo que temos ouvido, esta Ilha é ainda mais bonita do que São Tomé. Numa próxima oportunidade temos de ir ver para crer, porque para nós São Tomé já é deslumbrante.

Podem ainda visitar o Ilhéu das Rolas, que fica a 15 minutos de barco de Porto Alegre, no sul da ilha. Este ilhéu tem a particularidade de ser atravessado pela linha do Equador. Podem passar por lá o dia, percorrer o ilhéu a pé e tirar a típica fotografia junto ao marco do Equador, com um pé no hemisfério norte e outro no hemisfério sul. Há ainda quem pernoite por lá, no único hotel existente, o Pestana Equador Ilhéu das Rolas. Não podemos dar a nossa opinião porque não fomos a este ilhéu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *