Vietname

Vietname

O Vietname é um país apaixonante, com paisagens deslumbrantes. É a tranquilidade do Norte, dos arrozais e das minorias étnicas, e a azáfama da capital. É país de vendedores ambulantes, de comida de rua (da boa!), do inédito café com ovo, de milhentas motas onde tudo cabe, de riquexós, de bicicletas. De templos, de chapéus em forma de cone, de barcos a remos (remados também com os pés), de praias magníficas. Recebeu-nos um povo simpático que se esforça por comunicar connosco, em inglês ou por gestos, sempre com um sorriso.

E os passeios… os passeios são a mochila do Sport Billy do Vietname! Cabe lá tudo, sai de lá solução para tudo, só não servem para passar a pé facilmente. É nos passeios que lavam loiça, temperam carne, montam esplanadas intermináveis com pequenos banquinhos de plástico, fazem fogueiras,  cozinham em panelões e fogareiros, vendem fruta, estacionam motas… é uma cultura completamente diferente da nossa, e talvez por isso mesmo adorámos este país.

Localização

O Vietname está localizado no sudeste Asiático, fazendo fronteira com o Camboja, Laos e China.

Fuso horário

 GMT +7

Capital

Hanói, com 8.054 milhões de habitantes.

Clima | Quando ir

Devido ao extenso comprimento do país o seu clima é bastante distinto entre o Norte, Centro e Sul.

O Norte do Vietname tem duas estações: uma com temperatura, humidade e precipitação elevadas entre maio e outubro, outra com temperaturas mais amenas e menos chuva entre novembro e abril. É uma região montanhosa, com noites frescas devido à sua altitude, sendo prudente levar sempre um casaco. Para ver os arrozais no seu auge, prontos para a colheita, setembro é o melhor mês.

Na região Central do Vietname os meses mais chuvosos são de agosto a janeiro.

No Sul do país a estação das chuvas chega entre maio e novembro, sendo a precipitação mais elevada em junho e agosto. Entre dezembro e abril ocorre a estação seca, com chuvas menos abundantes e temperaturas elevadas.

Confusos? Aqui podem verificar no mapa o clima em cada região do país para cada mês específico.

Para quem viaja com miúdos em idade escolar, a altura mais favorável para visitar o país será nas férias do Natal ou da Páscoa, de forma a evitar chuva.

Visto de entrada

Os cidadãos  portugueses necessitam de visto de entrada para o Vietname. Tratámos do nosso online, no site Vietnam Visa Center. Pagámos 15 dólares por pessoa para obter uma carta de aprovação, que nos foi enviada para o email em 3 dias úteis. Ao chegar ao aeroporto dirigimo-nos ao balcão de imigração com todos os documentos necessários: passaporte com validade de pelo menos 6 meses desde a data de entrada no país; carta de aprovação; duas fotos tipo passe; formulário de entrada e saída preenchido. Pagámos ainda mais 25 dólares por pessoa para obter o visto efetivo (aceitam pagamentos em euros).

O que visitar no Vietname

No nosso itinerário de 15 dias incluímos apenas o Norte e Centro do país, deixando o Sul para uma próxima viagem, quando formos ao Camboja.

São diversificados os pontos turísticos no Vietname. Após alguma pesquisa elaborámos o nosso roteiro, adaptado ao tempo que tínhamos e aos nossos 3 mini viajantes (na altura com 1, 3 e 6 anos). 

Vietname
Roteiro de 15 dias no Vietname (com crianças)
  • Dia 1  – Voo Lisboa -Barcelona -Doha -Hanói 
  • Dia 2 – Chegada e dia completo em Hanói
  • Dia 3 –  Hanói e ida para Lao Cai em comboio noturno (+- 9h), seguido de transfer de autocarro (45min/40km) para Sapa 
  • Dia 4 – Trekking em Sapa , noite em Homestay
  • Dia 5 – Trekking em Sapa e regresso a Hanói em comboio noturno
  • Dia 6 – Chegada a Hanói de madrugada, dia inteiro em Hanói
  • Dia 7 – Ida para Bai Tu Long Bay de autocarro (4h/150km), noite em cruzeiro
  • Dia 8 – Regresso a Hanói  de autocarro ao fim da tarde
  • Dia 9 – Ida e volta de autocarro (2h/100km) de Hanói para visitar Ninh Binh/Tam Coc
  • Dia 10 – Voo de Hanói para Danang, táxi (30min/25km) para Hoi An (praia)
  • Dia 11 a 14 – Estadia na praia de An Bang com idas à cidade antiga de Hoi An (a 5km)
  • Dia 15 – Praia e voo de regresso de Danang para Hanói ao fim da tarde, dormida em hotel junto ao aeroporto de Hanói
  • Dia 16 – Voos de regresso a Portugal 

Hanói

Chegámos ao país de avião, pelo aeroporto de Noi Bai, a 45 minutos de carro da capital, Hanói.  Início de Abril, 37 graus, 13h30. Estava um calorão húmido que nos aquece a alma e nos traz euforia por finalmente chegarmos ao destino.

Em Hanói ficámos instalados na zona do Old Quarter. Não vos recomendamos o nosso alojamento. No entanto, esta é a zona ideal para ficarem. É onde tudo parou no tempo, ali a cidade fervilha. Conseguimos misturar-nos com os vietnamitas e fazer aquilo que gostámos mais de fazer em Hanói: ver o dia-a-dia acontecer. 

O trânsito é caótico, ouvem-se buzinas sem parar, as passadeiras são meramente decorativas, o que torna a travessia das ruas numa verdadeira aventura. O segredo é não hesitar, andar sempre em frente e não parar mesmo quando têm uma mota a meio metro das vossas pernas. Há cerca de 4 mil motas a circular e são o meio de transporte mais versátil que vimos até hoje. São utilizadas para transportar  todo o tipo de carga, ou até para dormir uma boa sesta.

As ruas são percorridas por vendedores com os chapéus em forma de cone, com a carga nas bicicletas ou equilibrada ao ombro, num pau com uma cesta pendurada em cada ponta, a fazer lembrar uma balança. Vendem sobretudo frutas, doces típicos e legumes.

Junto ao lago Hoan Kiem, na zona do Old Quarter, as ruas são cortadas ao trânsito ao fim de semana, dando o caos lugar a um espaço enorme de convívio, repleto de famílias vietnamitas. Tocam música, dançam músicas internacionais , inclusive o “despacito” e a “lambada”! Formam círculos pela rua para assistir aos jogadores de peteca (que lá se joga exclusivamente com o pé), gamão e jenga (empilham as peças de madeira em torres com uns dois metros, e todos se riem e batem palmas quando as torres caem). Alugam carros eléctricos para os mais novos, carros esses que são guiados pelos pais com um comando à distância. 

É agradável passear nesta zona cheia de jardins e bancos à sombra de árvores na berma do lago. Recomendamos uma passagem por aqui, particularmente ao fim de semana.

Ambiente ao fim de semana junto ao Lago Hoan Kiem
Ambiente ao fim de semana junto ao Lago Hoan Kiem

O Templo Ngoc Son fica numa ilha do lago Hoan Kiem, onde podemos aceder através de uma bonita ponte pedonal vermelha. Os seus altares em tons vermelhos e dourados são magníficos. No pátio deste templo podem avistar uma torre no meio do lago, a Torre da Tartaruga. Segundo a lenda, no tempo da ocupação Chinesa, um general Vietnamita foi presenteado com uma espada mágica por uma tartaruga dourada que vivia no lago. Com o uso da espada conseguiu a expulsão dos Chineses, o que levou à construção da torre em homenagem à tartaruga. Cobram cerca de 1 Euro de entrada no templo, crianças com menos de 15 anos não pagam.

Fiel a ler votos no Templo Ngoc Son
Fiel a queimar votos no Templo Ngoc Son
Árvores junto ao Lago Hoan Kiem
Riquexó

A cidade é plana, conseguimos deslocar-nos facilmente a pé, mas é demasiado extensa. Andar apenas a pé não é viável. Fizemos um pequeno passeio de riquexó, por ser algo diferente.  Foi engraçado, os miúdos gostaram,  mas não é imperdível. O preço? Depende da vossa capacidade de regatear!

Outra forma de percorrer a cidade é através de autocarros de 2 andares, daqueles sem tejadilho (sucesso garantido com miúdos), que param nos seguintes pontos turísticos: Lago Hoan KiemCasa da Ópera de Hanói, Catedral São JoséTorre da Bandeira de Hanói, Maosoléu de Ho Chi Minh, Templo Quan Thanh, Pagoda Tran Quoc,  Igreja do Portão Norte, Cidade Imperial de Thang Long, Templo da literatura, Prisão Hoa Lo, Museu das Mulheres Vietnamitas, Posto dos Correios de Hanói . Achámos esta opção de deslocação a mais prática num dos dias, principalmente pelo intenso calor. Conseguimos ver uma vasta área sem nos cansarmos e sem torrarmos ao sol. 

Os autocarros partem do Lago Hoan Kiem a cada 30 minutos e podemos entrar e sair as vezes que quisermos durante 4 horas, ou 1 a 2 dias inteiros, conforme o bilhete que adquirirmos. O autocarro tem uma gravação áudio em várias línguas que vai dando explicações sobre cada ponto de interesse (mais informação aqui ). Este tour permite perceber que o ambiente e a arquitetura fora do Old Quarter são completamente diferentes. As lojas com bancas à porta e os passeios preenchidos dão lugar a passeios largos e desimpedidos, com galerias de lojas de marcas internacionais, hotéis e restaurantes finos. Edifícios modernos substituem a arquitetura tradicional e colonial, dos tempos da ocupação francesa, responsável ainda pelas baguetes que tanto se veem à venda. 

Muitos destes pontos turísticos vimos apenas do autocarro. Dos que visitámos destacamos o Templo da Literatura, onde é homenageado o filósofo Confúcio. Entre jardins e pátios os miúdos brincaram às escondidas neste bonito complexo arquitectónico, o mais antigo de Hanói (1970).

Palácio presidencial
Casa da Ópera
Templo da Literatura
Maosoléu de Ho Chi Minh

Fomos ao teatro das marionetas na água, no Thang Long Water Puppet Theatre . Este espetáculo reproduz cenas típicas da vida rural Vietnamita e da sua mitologia. Dura cerca de 1 hora e inclui música típica Vietnamita ao vivo. É narrado apenas em Vietnamita, tem efeitos com fumo, jogo de luzes e pequenas explosões. Estávamos com receio que os mini fugitivos se fartassem de estar tanto tempo sentados, não sabíamos bem o que nos esperava. No entanto, a forma sincronizada como aqueles bonequinhos de madeira balançavam na água, a contracenar com búfalos e dragões coloridos, deslumbrou-nos aos 5 do início ao fim.  O bilhete custa à volta de 3 Euros.

O Mercado Dong Xuan é um mercado interior interessante, com vários andares, mas atraiu-nos mais o mercado noturno com o mesmo nome. São bancas de venda de roupa, comida, capas de telemóvel, etc…  numa área de 2km (desde a rua Dong Xuan até ao Lago Hoan Kiem). Tem início às 19h e fim às 00h30, todas as sextas, sábados e domingos. No mesmo horário há vários concertos gratuitos pela rua. Caminhámos esses 2km e valeu a pena! Fomos parando para ver algumas bancas e alguns concertos. Pelo caminho ainda jogámos peteca com uns jovens malaios no meio das bancas, nem demos pela distância que andámos. 

Banca do mercado noturno Dong Xuang
Esplanada junto ao mercado noturno Dong Xuang

A Train Street é outro local que merece uma visita. É a rua onde passa a linha de comboio, com a particularidade de ficar a escassos centímetros de casas e cafés. Nessa rua há esplanadas, lojas, estendais e crianças a brincar. Recolhem sempre que passa o comboio e voltam ao lugar após a sua passagem. Planeámos ir ver o comboio mas acabámos por passar por lá apenas de fugida (sem o ver passar) e depois numa outra perspetiva, dentro do próprio comboio. 

Para quem pretender lá ir partilhamos a pesquisa que tínhamos feito, pode ser uma ajuda. Melhor local para ver o comboio passar: aqui (menos turistas) ou aqui (mais cafés, mais turistas). Os comboios passam de segunda a sexta às 6h e às 19h e ao sábado e domingo às 9h15, 11h30, 15h20, 17h45, 18h40, 19h10. É recomendável ir com meia hora de antecedência porque os horários são apenas uma previsão.

Sapa

Sapa fica no Norte do Vietname, para a conhecer apanhámos um comboio noturno de Hanói até à estação de Lao Cai, a 45km de Sapa. O autocarro diurno ou noturno são opções mais baratas (quase de graça) para lá chegar, mas seria menos confortável para irmos com os miúdos, e dormir no comboio tem toda uma magia associada.

A noite foi de animação, foi a primeira vez que dormimos num comboio. Os mini fugitivos saltaram de cama em cama, carregaram em tudo quanto era botão, descobriram os interruptores das luzes individuais e gerais da nossa cabide, e do rádio… foi o fim do mundo até adormecerem! Estávamos todos entusiasmados, dormimos pouco mas foi sem dúvida uma experiência inesquecível.

Após o transfer de autocarro da estação de Lao Cai até Sapa (45min), tomámos um banho num hotel e conhecemos a nossa guia que nos ia acompanhar nos trekkings durante 2 dias. A guia era uma habitante local, duma minoria  étnica: os Hmong. Juntaram-se a nós mais duas raparigas Hmong, com quem fomos conversando e conhecendo um pouco mais dos seus hábitos. Aprenderam inglês a falar com os turistas, fazem artesanato (pulseiras, carteiras,etc) com ponto cruz que tentam vender aos turistas após as caminhadas.

No final do primeiro trekking (de 12km) esperava-nos uma dormida numa casa de família Dzay (outra minoria étnica desta zona), também com 3 filhos, na aldeia de Tavan. Tínhamos a hipótese de ficar em hotel, mas achámos esta experiência mais autêntica.

Numa mochila enfiámos o indispensável para os 5 para uma noite fora e iniciámos o percurso. A paisagem para nós era magnífica. No entanto, os terraços de arroz são supostamente mais bonitos em Setembro, altura em que ficam amarelos,  prontos para a colheita.

Pode parecer assustador fazer 12km com 3 miúdos pequenos, mas fez-se bem. O mais novo (1 ano) foi transportado num marsúpio, a do meio (3 anos) foi grande parte do percurso a pé, outra parte ao colo/cavalitas e o mais velho (6 anos) fez tudo a pé, muitas vezes à frente do pelotão! Pelo caminho havia pontos de descanso para nos sentarmos à sombra e comprarmos bebidas. Passámos por crianças a ir para a escola, por agricultores a preparar os socalcos para a plantação de arroz, vimos búfalos, porcos, patos e galinhas, o que ia distraindo e chamando a atenção dos miúdos.

Não esperávamos muito conforto na dormida na casa da família Dzay, mas fomos surpreendidos com um bungalow só para nós, com camas confortáveis, com mosquiteiros, e WC privado com chuveiro. A casa da família era uma casa típica: espaço amplo com sala e cozinha no andar de baixo, camas no andar de cima e casa de banho no exterior. A filha mais nova tinha 2 meses e não tinha cama de grades, como estamos habituados na nossa cultura. Tinha antes uma cama de rede, e lá dormia tranquila num embalo contínuo. 

Ajudámos na preparação do jantar, os miúdos brincaram todos, convivemos. Na televisão dava um programa sobre caça a ratos. Quando no programa acendem um fogareiro, nós perguntamos se comem rato. Respondem-nos com um óbvio “sim! Comemos de tudo”…

Ao pequeno-almoço a influência francesa no Vietname voltou a mostrar-se numas maravilhosas panquecas. Antes de partirmos para mais um trekking bebemos um delicioso café tradicional vietnamita no pátio da casa. Este café demora um pouco a ficar pronto, a água vai descendo gota a gota através de um filtro metálico em forma de chávena, mas o seu sabor compensa a espera. 

O trekking da despedida de Sapa foi mais curto, mas com paisagens igualmente bonitas. Ao fim da tarde regressámos à estação de Lao Cai para mais uma noite animada no comboio noturno em direção a Hanói.

Bai Tu Long Bay

A imagem da Baía de Halong (Halong Bay), com as suas grandes formações rochosas, é o postal de convite para visitar o Vietname. Contudo, após as nossas pesquisas para organizar a viagem percebemos que esta zona está a ficar extremamente poluída, muito devido ao enorme número de barcos de turismo que por ali se atropelam e até descaraterizam a paisagem. Por esses motivos, em alternativa a Halong Bay decidimos ir para Bai Tu Long Bay (apenas a 30km da mais popular) num cruzeiro de uma noite. O barco não era muito grande, o que para nós era um ponto positivo, e eram pouquíssimos os barcos naquela zona. O nosso quarto tinha uma varandinha com cadeiras, foi maravilhoso passar ali o serão. Acordar e contemplar aquele cenário de filme foi impressionante.

Há tours de apenas um dia para esta zona, mas tendo em conta que fica a 4h de autocarro (a norte) de Hanói, pareceu-nos ser uma opção demasiado cansativa, principalmente com crianças. É que há partes do corpo que ficam dormentes!

Nestes 2 dias de cruzeiro fizemos várias atividades. Visitámos uma caverna, fizemos praia, num barco de bamboo visitámos o que resta de uma aldeia flutuante, andámos de kayak (apenas nesta atividade o mais novo ficou no barco com a mãe, porque estava mesmo a precisar de uma sesta e imaginámos o kayak de pantanas com uma birra gigante, mas nas restantes fomos sempre os 5) e… descansámos! À noite deram-nos umas canas de pesca para nos entretermos até ao jantar, claro que não pescámos nada, até porque os miúdos punham o anzol mais tempo fora de água do que dentro, mas divertiram-se. Tínhamos ainda a possibilidade de participar numa aula de culinária vietnamita ou yoga matinal no deck, mas preferimos usufruir da nossa varanda no quarto. O café vietnamita naquele ambiente soube-nos ainda melhor.

Para quem está na dúvida se deve fazer este tour com crianças, podemos dizer que esta foi uma das experiências preferidas desta viagem para os nossos mini fugitivos. Se as conseguirem aguentar facilmente nas 4h até lá chegar, então não hesitem!

Ninh Binh

Passámos apenas um dia em Ninh Binh, numa excursão de ida e volta de Hanói, que fica a 2 horas de autocarro.

É conhecida como a Baía de Halong em terra, pois as formações rochosas ali existentes são idênticas. O cenário é impressionante, e curiosamente foi mesmo cenário de um dos filmes do famoso King Kong, o “Skull Island”. Começámos por subir 500 degraus de pedra até ao Templo Hang Mua.  A vista é sobre Tam Coc e é de tirar o fôlego, vale o esforço de cada degrau. Achamos incrível a construção de templos em locais destes, de difícil acesso, como se já fossemos em peregrinação até lá chegar.

De seguida fizemos uma breve passagem por Hoa Lu, antiga capital do Vietname, para visitar o Templo Hoa Lu, onde presenciámos uma cerimónia religiosa. Ficámos fascinados com os dragões feitos com malaguetas e flores, com os cânticos e com a vegetação densa à volta do templo.

Esperava-nos de seguida um passeio de barco a remos em Tam Coc. Passámos uma fantástica hora e meia entre campos de arroz, rochedos enormes e cavernas (do Templo de Hang Mua viam-se estes barcos em fila pelo rio no meio dos arrozais). Os mini fugitivos mais velhos tentavam tocar com as mãos no tecto das cavernas e na água, enquanto o mais novo adormeceu. 

Antes de regressar a Hanói houve ainda tempo para pedalarmos pelas redondezas. Aqui fomos felizes! A sensação de pedalar nos arrozais é indescritível, mas liberdade será uma das melhores palavras para a tentar descrever.

Ninh Binh provavelmente merecia uma dormida de uma noite ou duas, nem que fosse só para pedalar no meio daquela beleza natural. Se tiverem mais dias no roteiro pensem nisso. Outro local desta zona onde não fomos mas que deve ser interessante é o Thung Nham Bird Garden.

Hoi An

Para economizarmos tempo fizemos um voo interno, + – 1h, de Hanói para Danang. Daí apanhámos um táxi até Hoi An (25 km). Também podem chegar a Danang de autocarro ou comboio, inclusive comboio noturno.

Após vários dias sempre em movimento, chegámos àquela fase em que precisávamos de descansar das férias e nos apetecia fazer apenas praia, até porque continuava muito calor – 35 graus logo às 9 da manhã.

Ficámos hospedados na Bien Dao Homestay (que recomendamos), a uns escassos minutos a pé da praia de An Bang. Destacamos as bicicletas gratuitas, a proximidade da praia e a limpeza diária. Foi na praia de An Bang que passámos a maior parte dos dias. Água morna, com alguma ondulação, mas com piscinas na maré baixa, que encantam qualquer miúdo. Tem chuveiro de água doce, espreguiçadeiras e sombras que podem utilizar gratuitamente se consumirem alguma coisa (água de coco ou uma cerveja vietnamita são boas opções). Há restaurantes de hotéis na praia, mas nós optámos por almoçar em restaurantes típicos existentes na rua paralela à praia. A praia estava quase vazia (em abril), o que provavelmente será diferente se a vossa estadia coincidir com as férias de verão dos vietnamitas ou com o festival Tet. Ao fim da tarde alguns vietnamitas apareciam para dar mergulhos ou para ir pescar nos típicos barcos cesta.

Um restaurante que recomendamos em An Bang? O Cay me, sem pestanejar. Não fica junto à praia mas é facilmente alcançável de bicicleta. Pedalámos até lá algumas vezes para jantar. Tem sumos de fruta natural deliciosos e comida vietnamita de qualidade a preços muito acessíveis (cerca de 4€ bebida + prato bem servido). Dá vontade de experimentar tudinho. Do Cao Lâu, prato vietnamita típico desta zona, às Bánh Xèo, fabulosas panquecas vietnamitas, passando pela simples Banh Mi, baguete vegetariana ou com carne, tudo é delicioso! A salada de papaia verde é algo diferente, a experimentar, mas pode não agradar a todos (por não ser doce) mas a salada de manga é uma boa alternativa. Têm serviço de take-away, bastantes opções vegetarianas e uma decoração rústica fantástica, renovada recentemente.

Salada de papaia verde
Bánh Xèo

Queremos alertar-vos para o facto da praia de Cua Dai, outrora conhecida como uma das melhores da zona, ter deixado de o ser. Devido aos tufões tem vindo a sofrer um processo de erosão. Confirmámos presencialmente que a areia foi engolida e no seu lugar tem agora sacos de areia para impedir que a água do mar alcance a costa. Está  longe de ser a praia ideal, sobretudo com crianças.

Há quem opte por ficar alojado mesmo no centro de Hoi An, na cidade antiga, a 5km da praia de An Bang. 

Hoi An é uma cidade encantadora, antigo porto comercial, conhecida como a cidade das lanternas e pelo seu centro histórico, onde só é permitido circular a pé. É necessário comprar bilhete ao entrar na cidade para a visitar (cerca de 5€ que são usados na conservação do centro histórico), bilhete esse que dá acesso aos seus templos e também a um show de dança – não assistimos.

As ruas estão enfeitadas com lanternas coloridas de papel, dando a esta cidade um charme ainda mais especial à noite. Tivemos a sorte de presenciar o Festival das Lanternas, também conhecido como Festival da  Lua Cheia, que ocorre uma vez por mês, de acordo com o calendário lunar. Durante esse festival todas as luzes da cidade antiga, inclusive dos restaurantes e casas, são desligadas a partir das 20h. A cidade fica iluminada apenas com a luz das lanternas e das velas. Vendem-se lanternas flutuantes de papel com uma vela acesa para colocar no rio, levando votos de felicidade, sorte e amor. Os vietnamitas honram os seus entes falecidos, visitam templos, queimam incenso e notas falsas, oferecem comida e velas, procurando receber prosperidade em troca.

Uma das principais atrações turísticas da cidade antiga é a Ponte Japonesa , uma ponte coberta, do séc.XVIII, feita de pedra e madeira. 

Adoramos mercados, aproveitamos sempre para comprar fruta. Não podemos deixar de recomendar uma passagem pelo Mercado Central de Hoi An.

Aproveitem para jantar comida vietnamita no Mót Hoi An  e experimentem a Mot’s traditional herbal drink, uma bebida floral refrescante, a menos de 50 cêntimos/copo.

Sugestões de outras atividades/locais a visitar nesta zona, mas onde não fomos: ir a uma vila de pescadores,  Thanh Nam ou Tra Nhieu, por exemplo. Os passeios por estas vilas piscatórias geralmente incluem um passeio nos típicos barcos cesta, um almoço tradicional e aulas de culinária.

Gostávamos mesmo mesmo de ter ido à Tam Tahn Mural Village , a uns 40km a sul de Hoi An, mas o cansaço e o calor não estavam favoráveis. Foi através do blog Viagens Daqui para ali que descobrimos esta pérola. Espreitem o vídeo deles aqui e digam que não têm vontade de ir até lá!

Outras dicas sobre o Vietname (com crianças)

Internet: comprar cartão de dados à chegada. Comprámos o nosso ainda no aeroporto: da Viettel, 8€ com 3G ilimitado e 3,5GB diários de 4G, válido durante 30 dias. Este preço é para cartão apenas de dados, sem possibilidade de efetuar chamadas, mas podem sempre ligar pelo WhatsApp ou outras aplicações semelhantes. 

Electricidade: as tomadas são de 220 V.

Comida: os nossos miúdos adaptaram-se bem, a comida vietnamita não é picante como em muitos países da Ásia. Há muita fruta à venda e comida simples, pouco condimentada, como o arroz branco, frango, pão (baguetes) e croissants. Há lojas e supermercados com uma variedade doida de papas, iogurtes, leite em pó, pacotes de leite simples ou achocolatado, frascos de comida para bebé, etc.

Talheres: no Vietname come-se com pauzinhos e colher de sopa, em locais não turísticos não há facas nem colheres mais pequenas, de sobremesa. Costumamos levar sempre um conjunto de talheres de plástico (reutilizáveis) para partir a comida dos mini fugitivos.

Fraldas: encontram-se com muita facilidade, de marcas conhecidas como a Huggies e Pampers. Aliás, encontra-se TUDO para bebés:  biberões (da nuk e avent), babetes, termómetros, banheiras, roupa, etc. Relaxem, não é assim tão fim do mundo!

Carrinho de bebé: achámos que não o íamos usar, mas levámos um pequeno e usámos bastante, mesmo em Hanói em que os passeios são frenéticos. Por vezes tínhamos de sair do passeio e continuar pela berma da estrada, mas deu perfeitamente. Claro que para os trekkings e as subidas de degraus foi substituído pelo marsúpio.

Vacinação: fomos à consulta do viajante e para o tempo e roteiro que fizemos recomendaram-nos apenas a vacina da Hepatite A. Esta vacina pode ser administrada a partir dos 12 meses. Achamos importante fazer sempre esta consulta, nunca a dispensamos, pois os cuidados para um determinado país variam de acordo com as zonas a visitar e com o número de dias que dura a viagem. 

Consumo de água: SEMPRE engarrafada, principalmente para as crianças. Evitar gelo nas bebidas.

Excursões: há um sem fim de agências (e hotéis) a venderem excursões em Hanói, a preços mais baratos do que na internet. Não tenham receio de ir sem nada marcado. 

Taxi: recomendamos instalar a aplicação Grab, é uma forma rápida/prática de chamarem um taxi sem serem enganados. Podem optar entre carro ou mota. A Grab permite consultar antecipadamente o preço estimado da viagem, bem como o condutor. É uma boa forma de ter referência dos preços para determinado percurso.