canais de irrigação arrozais

Na nossa viagem a Bali com crianças pretendíamos visitar alguns templos, passear pelos arrozais, provar a gastronomia balinesa. Estar o mais próximo possível da população, sentir a famosa espiritualidade da ilha, relaxar um pouco na praia, fazer snorkeling, e nadar ao lado de tartarugas no seu habitat natural

O plano era exigente, mas concretizámo-lo, e ficámos incrivelmente rendidos. É inexplicável a autenticidade que algumas zonas mantêm, mesmo sendo um destino tão popular. 

A Ilha dos Deuses mantém uma atmosfera especial, não tenham dúvidas. 

Viajámos em agosto de 2023, com os nossos filhos de 5, 8 e 11 anos, e foi uma viagem que agradou bastante a todos. Se estão a pensar organizar uma viagem até Bali com crianças, podem encontrar neste guia toda a informação que consideramos essencial.

Localização

A Indonésia é um arquipélago constituído por mais de 17500 ilhas. Bali é uma das 6000 ilhas habitadas desse arquipélago, no continente asiático.

Fuso horário

GMT +8, ou seja, em Bali são sempre mais 7 ou 8 horas do que em Portugal Continental, dependendo se estamos no nosso horário de verão ou de inverno.

O sol põe-se por volta das 18h, portanto programem bem o dia. 

Clima | Quando ir

O clima em Bali é tropical, com temperaturas sempre acima dos 24ºC, e apenas duas estações do ano.

Os meses de novembro a março correspondem à estação das chuvas e, consequentemente, à época baixa. No entanto, podem ocorrer pequenas chuvadas em qualquer mês.

A estação seca vai de abril a outubro, o que torna Bali umas das poucas ilhas do sudeste asiático com clima favorável durante o verão europeu. Por esse motivo, há um elevado fluxo de turistas nessa altura do ano, sobretudo em julho e agosto.

Visitámos Bali em agosto precisamente pelo bom tempo, mas íamos com receio que a ilha estivesse demasiado concorrida com turistas. Escolhemos o roteiro cuidadosamente, no sentido de fugir aos locais mais movimentados. Mais abaixo falo-vos do roteiro que fizemos.  

arrozais penebel

Como chegar

O avião é o meio mais rápido para viajarem desde Portugal até Bali.

Há várias companhias aéreas que voam para Denpasar, a capital. A Turkish Airlines, Emirates, Qatar e Lufthansa são algumas delas.

De momento, ainda não há voos diretos com saída do nosso país com destino a Denpasar. Posto isto, terão de fazer pelo menos uma escala, sendo Singapura e o Dubai pontos de paragem frequentes (e interessantes) nesse trajeto.

Pesquisámos várias opções de voos para Bali, e encontrámos um significativamente mais barato indo por Jakarta, na vizinha ilha de Java. Sendo assim, optámos por voar para Jakarta com a Etihad, e daí para o destino final através da low cost Air Asia. 

Resumo dos voos e escalas que fizemos:

  • Com a Ethiad Airways
    1. Lisboa – Abu Dhabi (voo de 7h30)
    2. escala em Abu Dhabi de 7h50 na ida e de 4h no regresso 
    3. Abu Dhabi – Jakarta (duração de 8h30)
  • Com a Air Asia
    1. Jakarta – Denpasar/Bali (voo de 1h45).
No regresso fizemos a mesma rota, mas no sentido inverso.
 
Se pretendem percorrer estas distâncias com crianças, o artigo como sobreviver a voos longos com crianças pode interessar-vos.

Nota: comprámos os bilhetes de avião diretamente nos sites das companhias aéreas, mas antes disso pesquisámos nos motores de busca Google flights e Skyscanner. Desse modo percebemos quais as companhias aéreas que voavam para aquele destino, comparámos preços e estudámos alternativas de datas e de rotas. Sempre na busca da opção de voos menos dispendiosa. 

Procedemos desta forma cada vez que organizamos as nossas viagens.

interior do avião etihad
avião air asia

Internet

Se estão interessados em adquirir um cartão de internet local, para não dependerem do wi-fi incerto dos alojamentos e restaurantes, é importante saberem que há quatro operadoras de telecomunicações em Bali. Dessas quatro, a Telkomsel e a XL Axiata são as referenciadas como tendo melhor cobertura. 

Adquirimos um cartão de internet à chegada, no aeroporto. Pagámos cerca de 15€ (260 000 rupias indonésias) por um cartão SIM com 14GB, da Telkomsel , que tinha uma boa cobertura de rede. O plafond deu perfeitamente para as duas semanas de viagem.

Os preços no aeroporto podem estar inflacionados, mas deu-nos jeito ter acesso imediato à internet para comunicar com o alojamento onde íamos ficar na primeira noite, bem como para chamar um Grab (aplicação semelhante à Uber).

Câmbio

A moeda utilizada em Bali é a Rupia Indonésia. 

À data de hoje, 1€ equivale a 16.981 Rp. Os preços estão indicados muitas vezes em k Rp. Por exemplo, 5000 rupias estão marcadas como 5k Rp.

Há algumas ATM nos locais mais turísticos, mas tendo em conta que os preços em Bali são muito baixos, optámos por levar Euros e fomos trocando conforme necessitámos. As casas de câmbio são inúmeras e é raro cobrarem comissão.

Se procuram fazer compras e comer em locais típicos, os warungs, é mesmo fundamental terem rupias convosco, pois não aceitam pagamento com cartões ou moeda estrangeira.

Em relação ao Cartão Revolut, quando falávamos nele não sabiam do que se tratava, portanto não foi possível utilizá-lo em Bali. .

Para terem uma ideia do dinheiro que podem precisar, estes são alguns preços praticados em Bali, em agosto de 2023:

  • garrafa de 500ml de água num supermercado ⇒ 0,30€, o dobro num restaurante;
  • pacote de leite de 200ml ⇒ 0,35€;
  • uma refeição num restaurante local ⇒ 3€;
  • transporte de carro com condutor entre localidades ⇒ cerca de 0,60€ por cada km;
  • aluguer de mota ⇒ 5€ por dia;
  • alojamento para uma família de 5 ⇒ a partir de 40€/noite (se ficarem em 2 quartos duplos, separados, conseguem valores ainda mais baixos).

Documentos necessários

Atualmente, para entrar em Bali são necessários 3 documentos:

  1. Passaporte
    • com validade de pelo menos 6 meses.
  2. Visto de entrada
    • evitem filas solicitando-o previamente online, o chamado e-Visa. Para tal, acedam ao site oficial: https://molina.imigrasi.go.id/;
    • é necessário um visto por pessoa, inclusive para crianças;
    • online tem um custo de cerca de 30€ cada. Optámos por este método, que funcionou muito bem. Após o pagamento recebemos automaticamente o e-Visa por email.
  3. Declaração Alfandegária Eletrónica
    • link para preenchimento: https://ecd.beacukai.go.id/ . Tenham à mão o passaporte e os detalhes do voo, pois esses dados serão necessários;
    • preencher a declaração alfandegária é gratuito e obrigatório. No final é gerado um QR Code para apresentarem no aeroporto;
    • só podem preenchê-la 2 a 3 dias antes da viagem. Se não o fizerem antes de ir, há alguns computadores disponíveis para esse efeito no aeroporto. No entanto, recomendo tratarem disso antes, para evitar filas;
    • basta preencherem uma declaração por grupo/família.

Eletricidade

As tomadas de eletricidade em Bali são semelhantes às de Portugal, com dois pinos redondos. Não precisam de adaptadores.

Religião

O islamismo é a religião predominante na Indonésia. Mas Bali, por sua vez, é maioritariamente hindu, o que lhe atribui uma aura muito distinta e cativante.

A religião está muito presente na vida dos balineses hindus. Há rituais diários que cumprem meticulosamente. Queimar incenso, benzer com água benta a casa ou os estabelecimentos comerciais, passar algum tempo a fazer oferendas para os deuses, são alguns pequenos rituais diários dos balineses. Tenho a certeza que vão adorar presenciá-los. 

hinduismo
oferendas
oferendas em bali
templo hindu


Comida

A gastronomia de Bali é maravilhosa, e incrivelmente barata.

Ao contrário de muitos países asiáticos, a comida não é excessivamente picante. Se estão a pensar visitar Bali com crianças e estão preocupados com as refeições, saibam que há alguns pratos ligeiramente picantes, mas há sempre opções sem picante.

O Nasi Goreng é provavelmente o prato típico mais popular de Bali, que encontram em todo o lado. Feito à base de arroz frito (simples, com frango ou camarão), com um ovo estrelado por cima e sem picante, agrada facilmente às crianças. 

Há outros pratos que merecem ser recomendados, falarei deles num artigo dedicado exclusivamente a esse tema.

Nos supermercados locais encontram leite, iogurtes, bolachas, panquecas e cereais idênticos aos ocidentais. Há ainda imensa variedade de fruta. Destaco as pitayas vermelhas (dragon fruit) que são deliciosas e a um preço de brincadeira, comparado com os preços em Portugal.

nasi goreng, prato típico de bali
fruta em bali, pitaya


Quantos dias ir

Sugerir o número de dias ideal para visitar um país é sempre tarefa difícil. Depende dos vossos interesses em viagem, do que procuram incluir no roteiro, do vosso ritmo, etc. 

Em Bali têm muito para ver e fazer, além de poderem dar um salto às ilhas vizinhas, como Komodo, Lombok, Nusa Penida, Gili Trawangan. Conseguem demorar-se facilmente um ou dois meses por lá!

Assumindo que não têm essa disponibilidade toda, penso que o ideal é passarem pelo menos duas semanas em Bali, tal como nós fizemos. Os alojamentos e a comida são muito baratos, já os voos são caros e longos. Portanto, fiquem por lá o máximo tempo possível, para rentabilizarem o dinheiro e tempo que investiram nos voos.

Principalmente se forem viajar com crianças, não vão menos do que isso! Mal dá para recuperarem do cansaço dos voos e do jet lag, quanto mais para usufruírem e aproveitarem o destino!

Há agências de viagens que vendem pacotes de 7 noites em Bali, mas considero muito pouco. Aliás, para qualquer país longínquo, como Bali ou o Vietname (outro excelente destino, mas que nunca fica a menos de 16h de voos, mais as horas das escalas) julgo que ir apenas uma semana é demasiado cansativo. 

O nosso roteiro de 16 noites

Uma vez que a viagem a Bali foi totalmente organizada por nós, elaborámos o roteiro de acordo com os nossos gostos e interesses, o que incluía evitar as zonas mais movimentadas, como referi acima, para fugir da confusão de agosto (época altíssima!). 

Estar à espera para comer em restaurantes, não ter onde estender a toalha na praia, ou ter de ficar em filas para tirar fotografias em “sítios da moda” não tem nada a ver connosco. É com satisfação que vos digo que não apanhámos nada disso nos locais por onde andámos. 

Após muita pesquisa e alguma hesitação, foi este o nosso roteiro final em Bali, que nos encheu as medidas:

  • Ubud – 3 noites ligeiramente afastados do centrona fabulosa Villa Lumbung;
  • Sidemen – 2 noites, mais concretamente na aldeia de Tabola, no incrível Bebek Biru;
  • Amed – 3 noites com o pé na areia num tranquilo bungalow do Bali Villa Coral;
  • Ilha Gili Meno – 5 noites nesta ilha que já pertence a Lombok, outra ilha da Indonésia; ficámos no extremamente simples, básico e baratíssimo II Bungalow;
  • Penebel – 3 noites no excelente Sang Tirta Resort, no meio da natureza.

Nota: a nossa ideia era apanhar o barco de Amed para as ilhas Gili (por ser a rota mais curta possível desde Bali), no entanto, o porto de Amed estava fechado para obras, o que nos obrigou a ir embarcar em Padang Bay, a cerca de 2h de Amed. 

No planeamento do vosso circuito tenham em conta que o porto de Amed permanece encerrado à data de publicação deste artigo. 

Sugestão de roteiro de 10 noites

Caso tenham menos noites disponíveis podem optar por cortar uma ou duas noites nas Ilhas Gili, ou ficar apenas por Bali e não visitar outra ilha. Se fizerem questão de visitar as praias paradisíacas das ilhas vizinhas, mas não têm tanto tempo, então tirem Amed do itinerário anterior.
 
Com 10 noites em Bali, faria o seguinte circuito

  • Ubud – 3 noites;
  • Penebel – 2 noites;
  • Uma das 3 Ilhas Gili (ou noutras ilhas mais próximas de Bali, como Nusa Lembongan e Nusa Penida, para evitar perder tanto tempo em deslocações) – 3 noites;
  • Sidemen – 2 noites.

Outra opção, para não trocarem tantas vezes de alojamento, é fazerem base em Ubud e explorarem as zonas de Penebel e Sidemen a partir daí. Ambas distam cerca de 1h/2h de carro de Ubud.

arrozais
ritual religioso em bali
canais de irrigação arrozais
praia


Outros locais a visitar

Bali tem muitas zonas mundialmente famosas pelas boas condições para a prática de surf. Não visitámos nenhuma delas, mas se pretendem surfar ou procuram cafés/restaurantes com decoração bonita e ambiente relaxado, pesquisem por estas localidades: Canggu, Seminyak, Jimbaran, Uluwatu, Kuta.
 

Sanur é também conhecida como uma zona calma de praia, muito recomendada para famílias. Tendo em conta que fica a cerca de meia hora de carro do aeroporto, é uma escolha interessante para terminarem a viagem. 

Além disso, tem um percurso paralelo à praia, com uns 4km, que será agradável percorrer ao fim do dia, de bicicleta ou a pé. O mercado noturno Pasar Sindhu, onde vendem comidas locais, também aparenta valer uma visita, mas acabámos por não ir a Sanur. 
 
Esteve realmente no roteiro, no entanto, como ficámos duas vezes seguidas em zonas de praia (Amed e a Ilha Gili Meno), pareceu-nos que seria praia a mais e acabámos por cancelar a reserva de alojamento que tínhamos feito em Sanur.
 
Sentimos necessidade de ir para uma zona mais isolada, mais rural, mais autêntica. Foi aí que surgiu Penebel. Ficámos muito mais afastados do aeroporto, mas foi um dos pontos altos da viagem, não nos arrependemos nada da troca. 


Deslocações na ilha

Não há qualquer linha de comboio em Bali, e os autocarros são escassos, pelo que os transportes públicos não são a melhor forma para se deslocarem nesta ilha.

Dito isto, são estas as hipóteses disponíveis para a percorrerem: 

  • contratar um guia com carro – podem fazer um percurso sugerido pelo guia, ou propor vocês o itinerário. O preço, que geralmente  inclui o combustível e as refeições do condutor, varia um pouco com os km que pretendem fazer, mas anda à volta dos 50/60€ por dia;
  • solicitar um condutor para deslocações maiores – o condutor não é um guia, faz apenas o transporte e muitas vezes não é fluente em inglês. Foi a forma que usámos para nos deslocarmos cada vez que mudávamos de região. Todos os alojamentos têm contactos de guias/condutores, é muito fácil arranjarem um;
  • carro alugado – vimos que os preços começam nos 40€ por dia, mas não experimentámos;
  • alugar mota – ronda os 5€ por dia e não é necessária carta de condução internacional. Foi o meio que escolhemos para explorar quase todas as áreas, exceto Ubud. Alugámos duas motas e andávamos dois numa e três noutra, ao estilo balinês. A condução nessas zonas foi muito tranquila, não tivemos qualquer problema, mas é recomendável terem alguma experiência, e talvez um bocadinho de espírito de aventura!;
  • utilizar as app Grab ou Gojek – são idênticas à Uber, mas em zonas menos turísticas não funcionam.
mota em bali
mota


Melhor forma para se deslocarem

O trânsito é caótico em muitas localidades, motivo pelo qual a mota é amplamente utilizada pelos balineses. É a melhor forma para escaparem às filas que se geram, mas nessas zonas mais movimentadas não nos aventurámos a conduzir. 

Foi por esse motivo que nas redondezas de Ubud optámos por usar a Grab, que funcionou muito bem, e pagámos a um condutor para fazer um roteiro de um dia (roteiro sugerido por nós). 

Pela nossa experiência, posso afirmar que a mota é mesmo a maneira mais barata e prática para explorarem Bali, na generalidade. Permite-vos ir a locais onde um carro não passa, como os caminhos bonitos dos arrozais. Conduzir uma mota nos arrozais dá uma sensação de liberdade indescritível, experimentem! Os nossos miúdos falam muito nisso.

arrozais norte de bali

Estou a escrever outros artigos sobre Bali, nomeadamente com dicas sobre cada localidade que visitámos, e o feedback dos alojamentos onde ficámos. Assim que possível partilho-os convosco!

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